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24/11/2019 | 23:02 - Amazonas / Esporte

Em Manaus, empresa encerra semana da Consciência Negra com “maratona” de palestras

Divulgação

Ao destacar sua trajetória e superação como atleta negro e nascido na região Norte do país, Sandro Viana também falou de suas raízes. Seus bisavós foram escravos e sua mãe enfrentou uma série de percalços para se formar professora. Ele também mostrou algumas adversidades que precisou superar em sua vida simplesmente por ser negro. “Antes de entrar no atletismo, eu trabalhava como corretor de imóveis. E sempre as pessoas tentavam me pagar uma comissão menor. Com o tempo, entendi o motivo disso. Como atleta, também passei por várias situações delicadas. Mas hoje, através do meu empenho, eu sou respeitado. Impondo minha cultura e não baixando a cabeça para as coisas erradas que eu vi no caminho”, garantiu Sandro.

 

“O racismo estrutural existe. Aquele racismo velado, disfarçado, ainda é uma realidade. Não só existe, como ele é praticado diariamente”. A declaração é do atleta amazonense Sandro Viana, dono de uma medalha olímpica de bronze, conquistada em Pequim-2008, no revezamento 4x100. Sandro realizou, entre a última segunda-feira (18) e o sábado (23), uma “maratona” de palestras durante a programação da semana da Consciência Negra, promovida pela Águas de Manaus para seus colaboradores. A ação faz parte do programa “Respeito dá o Tom”, lançado no mês de setembro na empresa, e que discute questões raciais e de diversidades no ambiente corporativo.

Ao destacar sua trajetória e superação como atleta negro e nascido na região Norte do país, Sandro Viana também falou de suas raízes. Seus bisavós foram escravos e sua mãe enfrentou uma série de percalços para se formar professora. Ele também mostrou algumas adversidades que precisou superar em sua vida simplesmente por ser negro. “Antes de entrar no atletismo, eu trabalhava como corretor de imóveis. E sempre as pessoas tentavam me pagar uma comissão menor. Com o tempo, entendi o motivo disso. Como atleta, também passei por várias situações delicadas. Mas hoje, através do meu empenho, eu sou respeitado. Impondo minha cultura e não baixando a cabeça para as coisas erradas que eu vi no caminho”, garantiu Sandro.

O único medalhista olímpico da história do atletismo amazonense também parabenizou o compromisso da Águas de Manaus em incentivar atitudes de respeito às desigualdades no ambiente corporativo. O projeto tem o objetivo de promover a igualdade nas oportunidades de acesso à empresa, além de proporcionar crescimento profissional aos colaboradores que se autodeclaram pretos e pardos.

“Eu fico muito feliz em ser convidado para palestrar sobre um tema tão importante. Eu já sofri bastante preconceito tanto por ser negro e ser um atleta que iniciou sua carreira em uma idade mais avançada para os padrões do atletismo, aos 24 anos. Além disso, sou nascido em Manaus e isso também causava um certo estranhamento nas pessoas de fora do Amazonas, principalmente quando participava de competições no eixo Sul-Sudeste. Em minhas andanças pelo Brasil e no mundo, consegui identificar que eu havia conquistado um mecanismo que me ajudava a superar esses obstáculos, mas que era algo que outras pessoas sofriam e não sabiam lidar”, alegou o atleta, que após se aposentar das pistas no começo do ano, prepara um projeto de iniciação esportiva para lapidar talentos no atletismo local. Sandro também participa de um programa do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), para se tornar atleta-guia de paratletas com deficiência visual em provas de velocidade.

 

Respeito profissional - A iniciativa do projeto “Respeito Dá o Tom” foi recebida também com entusiasmo pelos colaboradores. A estagiária do setor de Tecnologia da Informação da Águas de Manaus, Juliana Bertoldo, de 26 anos, afirma que a iniciativa do programa tem sido importante para inclusão dos negros. Ela conta ainda que considera essencial o incentivo a inclusão e contou que é um desafio ser mulher, negra e ainda fazer parte de um mercado com predominância dos homens.

“Já sofri preconceito mesmo trabalhando no setor de TI em um órgão público. Eu fui alvo de racismo no setor e não vi que a instituição ou os chefes se preocupavam com isso. Foi quando decidi mudar de emprego. Essa iniciativa da Águas de Manaus me deixou até surpresa. É muito bom ver empresas que se preocupam com a causa dos negros, com a inclusão e o respeito. Me sinto acolhida pelos colegas de trabalho do meu setor e principalmente incluída por meio do projeto ‘Respeito Dá o Tom’”, afirmou.

 

 

Programa - O “Respeito dá o Tom” é o Programa de Diversidade e Igualdade Racial da Aegea e vem sendo implantado em todas as unidades da companhia desde 2017. Em Manaus, a meta é conscientizar os colaboradores sobre o papel do negro na sociedade atual e a partir disso, tornar o ambiente de trabalho na empresa livre de qualquer tipo de racismo, preconceito e discriminações. Diversas ações para sensibilização dos colaboradores, como rodas de conversa, passarão a ser promovidas nas unidades da capital amazonense.

 

O Respeito dá o Tom é pautado em três pilares: empregabilidade, desenvolvimento e relacionamento. Um dos objetivos iniciais é ampliar o número de pessoas negras em todos os níveis do quadro de colaboradores em Manaus. No Brasil, 54% da população é negra, mas apenas 5% destas pessoas ocupam cargos executivos.

 

Para o diretor-presidente da Águas de Manaus, Renato Medicis, o programa é de suma importância. Segundo ele, o debate pode ajudar os colaboradores a enxergar a questão de uma maneira diferente. “Precisamos refletir diariamente sobre a questão racial e pensar no que queremos construir para o futuro do país. Promovendo ações como o Respeito dá o Tom, vamos conseguir essa mudança. Somos todos iguais, sejamos negros, brancos, índios, asiáticos. O Brasil é um país de múltiplas cores e raças”, disse o diretor-presidente.

Assessoria de Imprensa

 

 

 

 

 

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