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18/05/2020 | 19:25 - Amazonas / Política

Prefeito fala de preocupação com povos indígenas e critica falta de políticas nacionais

Foto - Mário Oliveira / Semcom

 
 
“Eu creio que Manaus sai da crise, seus índices estão caindo, mas acredito que haverá uma propagação grande no interior e nas comunidades indígenas”, disse o prefeito Arthur Virgílio Neto, ao revelar sua preocupação com os povos tradicionais da Amazônia. “Já me coloquei à disposição do governador [do Amazonas, Wilson Lima] para fazermos uma frente de atenção a essas populações”, completou em entrevista ao portal UOL, nesta segunda-feira, 18/5.
 
 
Na ocasião, o prefeito de Manaus também pediu cautela à população da capital, para evitar um novo pico de casos. Ele confirmou uma queda no número de sepultamentos, que na segunda quinzena de abril superava a média de cem enterros diários. “Chegamos a 59, 60 por dia, mas ainda não é o momento de relaxar”, alertou.
 
 
Segundo Arthur Virgílio, Manaus precisa manter as medidas preventivas e o isolamento social. Ele também chamou atenção para as dificuldades de se atender em massa os doentes dos demais municípios do interior do Amazonas, por conta do deslocamento dos mesmos para a capital. Nesses municípios, a situação do sistema de saúde é precária e a maioria não tem UTIs. “A situação do interior me preocupa muito e também a situação das populações indígenas”, disse.
 
 
O prefeito de Manaus tem sido um dos nomes mais procurados pela imprensa para falar sobre o caos da pandemia no Amazonas, até agora considerado o epicentro da doença na região amazônica, por conta de seu pedido de ajuda internacional. 
 
 
“Pedi ajuda aos dirigentes mundiais porque precisamos de remédios, equipamentos de proteção individual, equipamentos médicos”, disse o prefeito, revelando que não recebeu respostas concretas desses líderes. Mas destacou a ajuda recebida da Bélgica, que doou alimentos e produtos de higiene, do interesse do Portugal em ajudar e da ambientalista Greta Thunberg, que divulgou um vídeo fazendo um apelo em favor dos moradores da Amazônia. “Ela tem nos dado muita atenção”, afirmou Virgílio em entrevista, também nesta segunda-feira, ao Jornal de Notícias (JN) de Portugal.
 
 
Arthur responsabilizou o presidente Jair Bolsonaro pelo agravamento da crise no país, por conta de seu “discurso mal-intencionado e de adolescente”, como definiu. “No Brasil, faltou a presença do líder”, criticou o prefeito de Manaus, comparando a situação brasileira com a de Portugal, onde houve respostas eficientes à pandemia e o país não ficou nem próximo a registrar o caos que houve na vizinha Espanha. 
 
 
Conselho da Amazônia
 
 
Arthur Virgílio Neto lamentou, ainda, a inexistência de políticas públicas e o desconhecimento do atual governo federal sobre a Amazônia e disse que está pensando, seriamente, em ir à próxima reunião do Conselho presidido pelo vice-presidente Mourão, para se fazer ouvir sobre as questões ambientais, econômicas e sociais. “Nós temos muitas coisas boas a produzir aqui na área de desenvolvimento sustentável e de aproveitamento da biodiversidade. Aqui não tem lugar para agroindústria, muito menos para garimpo, nem em terra indígena e nem em lugar nenhum”, pontuou. 
  
 
Virgílio - que nos últimos dias se posicionou como opositor ao governo Bolsonaro, por conta do vazamento de parte do vídeo da reunião ministerial onde o presidente teria feito ofensas a ele e ao seu pai, o senador Arthur Virgílio Filho – afirmou que não acredita em autogolpe. “O Brasil já está suficientemente amadurecido e não acredito que os militares se deixem embelezar com essas ideias. O Bolsonaro é uma nuvem que vai passar em nossas vidas”, disse. 
 
 
Arthur disse que observou a movimentação de domingo, 17, em Brasília, durante a manifestação pública em que os manifestantes estavam sem máscaras. E instigado pelo jornalista, Arthur voltou a responsabilizar o presidente por mortes durante a pandemia. “Se ele [Bolsonaro] vai para as ruas e induz as pessoas a ir para as ruas, ele é diretamente responsável por provocar mortes nessa pandemia”, afirmou. “Sem nenhuma dúvida ele colaborou, sim, para abarrotar os hospitais, pelas mortes”, concluiu. 
 
 
O prefeito também concedeu entrevista para a colombiana W Rádio, com redes no México, Los Angeles, Panamá e Chile.
 

 

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