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29/02/2020 | 19:35 - Brasil / Meio Ambiente

Relatório do WWF revela pela primeira vez quais países terão suas economias mais afetadas nos próximos 30

Divulgação

Relatório do WWF revela pela primeira vez quais países terão suas economias mais afetadas nos próximos 30 anos se o mundo não agir com urgência para lidar com a crise ambiental global


Por WWF-Brasil

O estudo Global Futures, que calculou o custo econômico do declínio da natureza em 140 países, da Índia ao Brasil, mostra que, se o mundo continuar fazendo negócios da forma como sempre fez (business as usual), os EUA sofrerão as maiores perdas do PIB anual em termos absolutos, com US$ 83 bilhões varridos de sua economia por ano até 2050 -uma quantia equivalente a todo o PIB anual da Guatemala. Isso se deve em grande parte aos danos esperados em suas infraestruturas costeiras e terras agrícolas, e devido ao aumento das inundações e erosão como resultado das perdas de defesas costeiras naturais, como recifes de coral e manguezais.
Danos ocasionados na Zona Costeira serão a principal causa dos prejuízos à economia brasileira, que ocupa o sexto lugar no ranking, com perdas de US$ 14 bilhões (ou R$ 60 bilhões no câmbio atual) ao ano até 2050. A destruição da zona costeira irá gerar perdas anuais de US$ 12,382 bilhões (ou R$ 53.243 no câmbio atual), seguida por produção florestal (US$ 1,326 bi ou R$ 5.702 bilhões), polinização (US$ 1,013 bi ou R$ 4.356 bilhões), água doce (US$ 0,69 bi ou R$ 2,967 bilhões) e produção pesqueira (US$ 0,108 bi ou R$ 464 milhões).
A Zona Costeira brasileira, que abriga cerca de 60% da população do país, possui grande vulnerabilidade frente às mudanças climáticas. O aumento do nível do mar e das erosões costeiras, as frequentes e intensas as perdas de bens e pessoas são os aspectos mais visíveis que impactam nas perdas econômicas. Já a produção florestal tem perda da produtividade causada pela mudança das condições climáticas alteradas pelo desmatamento e uso do solo. No último ano o Brasil teve uma taxa de 9.762 km² de desmatamento e as emissões por uso de solo responderam por 44% de toda a emissão do País.
A polinização é outro aspecto apontado pelo estudo. No Brasil cerca de 32 alimentos dependem exclusivamente de polinizadores (BPBES/REPPIB) e com as alterações climáticas este ciclo de produção fica altamente comprometido. Outros elementos como água doce e produção pesqueira também serão afetados à medida que a mudança e intensidade de chuvas alteram o ciclo hidrológico do sistema, impactando na segurança para as comunidades costeiras, na mudança de seu habitat e na reprodução dos peixes além de contar com grandes períodos de estiagem.
No caso específico das commodities agrícolas, são previstas perdas anuais na cultura de cana (US$ 8 milhões ou R$ 34,4 milhões) e na pecuária (US$ 51 milhões ou R$ 219,3 milhões) caso o atual modelo intensivo em carbono persista.  Por outro lado, a mudança para modelos mais limpos e sustentáveis permitiria ganhos anuais de US$ 87 milhões ou R$ 374,1 milhões para a cana, e US$ 4 milhões ou R$ 17,2 milhões para a pecuária.  Para a indústria alimentícia, a perda é de US$ 460 milhões ou R$ 1.978 bilhão no cenário de um modelo econômico que desconsidera os serviços ecossistêmicos como atualmente, enquanto a indústria em geral perderia US$ 2,2 bilhões ou R$ 9,46 bilhões.  Já uma economia de baixo carbono geraria ganho de US$ 1,5 bilhão ou R$ 6,45 bilhões para a indústria em geral e de US$ 459 ou R$ 1.974 bilhão para a indústria alimentícia. O setor de serviços perde nos dois cenários, porém em proporções totalmente diferentes: US$ 9,3 bilhões (ou quase R$ 40 bilhões/ano) se a economia permanecer como está e US$ 1,6 bilhão (R$ 6,9 bilhões) em uma economia que mantenha os serviços ecossistêmicos.

Outras regiões em desenvolvimento também serão seriamente impactados, com a África Oriental e Ocidental, a Ásia Central e partes da América do Sul sendo particularmente afetadas devido à perda de seus serviços ecossistêmicos que afeta seus níveis de produção, o comércio e os preços dos alimentos. De acordo com o relatório, os três países que mais devem perder PIB em termos percentuais são Madagascar, Togo e Vietnã, que até 2050 deverão ver quedas de 4,2%, 3,4% e 2,8% ao ano, respectivamente.
O estudo Global Futures prevê perdas globais anuais até 2050 de:
● US$ 327 bilhões em proteções danificadas contra inundações, tempestades e erosão devido a mudanças na vegetação ao longo da costa e aumento do nível do mar;
● US$ 128 bilhões com a perda de armazenamento de carbono que protege contra as mudanças climáticas;
● US$ 15 bilhões em habitats perdidos para abelhas e outros insetos polinizadores;
● US$ 19 bilhões provenientes da redução da disponibilidade de água para a agricultura;
● US$ 7,5 bilhões de florestas perdidas e serviços de ecossistemas florestais;

O estudo também prevê aumentos de preços globais nos próximos 30 anos para as principais commodities, já que o setor agrícola global será o mais atingido pelo declínio dos serviços ecossistêmicos da natureza, como escassez de água e a diminuição de abelhas e outros insetos polinizadores. Em última análise, isso poderá levar a um aumento dos preços dos alimentos para os consumidores em todo o mundo, com implicações para a segurança alimentar em muitas regiões.
Os aumentos de preços previstos até 2030 para as principais commodities incluem:
● Madeira + 8%
● Algodão + 6%
● Sementes oleaginosas + 4%
● Frutas e verduras + 3%

“Este estudo inovador mostra como a natureza perdida não apenas terá um enorme impacto na vida e nos meios de subsistência humanos, mas também será catastrófica para nossa prosperidade futura. Pessoas de todo o mundo já estão sentindo o impacto do aumento dos preços dos alimentos, secas, escassez de mercadorias, inundações extremas e erosão costeira. No entanto, para a próxima geração, as coisas serão muito piores, com trilhões varridos das economias mundiais até 2050”, disse Marco Lambertini, diretor geral da WWF Internacional.


“O mais alarmante é que essas são estimativas conservadoras pois, atualmente, apenas alguns dos muitos benefícios que a natureza nos fornece podem ser modelados. Também não é possível levar em consideração os efeitos multiplicadores de riscos dos pontos de inflexão ambiental, além dos quais os habitats mudam rápida e irreversivelmente, levando à súbita perda catastrófica dos serviços da natureza. Se todas essas questões fossem levadas em consideração, os números seriam ainda mais graves.”

Alexandre Prado, diretor de Economia Verde do WWF-Brasil afirma que “o estudo aponta que economia e conservação têm estreita relação e que é necessário dar ênfase e escala a modos de produção e consumo mais sustentáveis. Os serviços ecossistêmicos não são somente a garantia de nossa sobrevivência em nosso planeta, mas também da geração de oportunidades econômicas e da qualidade de vida para as sociedades humanas. O mundo perde muito em não agir, principalmente pelo aumento do nível do mar e demais eventos extremos nas costas, mas também pela perda de produtividade agrícola e florestal e o menor volume de água doce disponível. Outro ponto é que as perdas serão muito desiguais: os países-ilha, por exemplo, serão varridos do mapa. Só vamos conseguir manter o crescimento econômico e a prosperidade global em um cenário de conservação", ressalta Prado.

O estudo Global Futures usou uma nova modelagem econômica e ambiental para avaliar qual seria o impacto macroeconômico se o mundo persistisse no business as usual, incluindo mudanças generalizadas e não direcionadas no uso da terra, aumento contínuo nas emissões de gases de efeito estufa e perda adicional de recursos naturais.


Em um cenário em que o uso da terra é cuidadosamente gerenciado para evitar novas perdas de áreas importantes para a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos, que o estudo chama de cenário de 'Conservação Global', os resultados econômicos seriam dramaticamente melhores. O PIB global aumentaria 0,02% ao ano, gerando um ganho líquido de US$ 490 bilhões por ano acima do cálculo da economia como sempre.

Esse método pioneiro de análise foi criado por meio de uma parceria entre o WWF, o Projeto Global de Análise de Comércio da Universidade de Purdue e o Projeto Capital Natural, co-fundador pela Universidade de Minnesota.
Steve Polasky, co-fundador do Projeto Capital Natural, afirma que: “as economias do mundo, as empresas e nosso próprio bem-estar dependem da natureza. Mas, desde mudanças climáticas, condições climáticas extremas e inundações, até falta de água, erosão do solo e extinções de espécies, as evidências mostram que nosso planeta está mudando mais rapidamente do que em qualquer outro momento da história. A maneira como alimentamos, abastecemos e financiamos a nós mesmos está destruindo os sistemas de apoio à vida dos quais dependemos, arriscando a devastação econômica global.”

Thomas Hertel, diretor executivo do Projeto Global de Comércio e Análise, entende que: “a ciência e a economia são claras. Não podemos mais ignorar o forte argumento econômico de restaurar a natureza. A inação nos custará muito mais do que ações para proteger as contribuições da natureza para a economia. Para garantir um futuro global positivo, precisamos alcançar padrões mais sustentáveis de produção e de uso da terra, e reformar os sistemas econômico e financeiro para incentivar a tomada de decisão baseada na natureza.”

Lambertini disse: “A boa notícia é que esses resultados desastrosos podem ser evitados se ao invés de continuarmos no modelo antigo de fazermos negócios os governos agirem urgentemente para deter a perda de natureza e enfrentar a nossa emergência planetária. Não precisamos nada menos que um novo acordo para a natureza e as pessoas, tão abrangente, ambicioso e científico como o acordo climático global acordado em Paris em 2015.” 

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